Archive for Novembro, 2008

BON JOUR!

Paris continua linda e eu feliz como nunca!

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4 comments 26/11/2008

Paris, te amo!

Não costumo mais postar aqui muita coisa pessoal. Acho que meus textos já são pessoais demais (apesar de serem, muitas vezes, ficção). Mas amanhã ou melhor hoje, sexta-feira, 21 de novembro, embarco para uma esperada viagem. 

Tão sonhada que parece que a vida começa amanhã. Não é a primeira vez que embarco para Paris. No meu trabalho, tenho a sorte de viajar muito. Será a quarta vez que vou para a cidade luz. Desde que vi pela primeira vez a torre, não consegui mais deixar de ir um ano sequer. Se vou para a Alemanha, vou para Paris. Se vou para a Itália, vou para Paris. Até quando fui para o Japão, a Air France deu um jeitinho de eu ficar em Paris através da sua greve.  

Paris tem um imã que faço questão de não perder o magnetismo. Conexão que só se estabeleceu porque tive a sorte de conhecer uma linda parisiense na favela. Ou melhor, no Favela Chic. Foi lá que conheci Karine, que se transformou em uma grande amiga, das melhores. Ela também tem um imã com o Brasil. Uma conexão também tão forte que a fez apaixonar-se por João, um brasileiro que agora é casado com ela. Eles vivem em Paris e são responsáveis pela concretização desta viagem. Eles não só abriram seus corações para mim através da linda amizade como também a casa, local que ficarei por uns dias. Com eles, estou em casa.

Desta vez Paris estará ainda mais colorida para mim. Levo a tiracolo a minha melhor amiga. Já fomos a Bahia de carro. Já fomos em tantos lugares juntas que é praticamente impossível pensar em viajar sem levar a Gill. Será, mais uma vez, inesquecível. Terei o prazer de mostrar para ela a cidade que tanto amo. Não tenho dúvidas, ela se apaixonará por Paris. Assim como eu me apaixonei. Assim como Paris se apaixonou por mim. 

Volto logo. Infelizmente tenho passagem marcada para a volta. Mas espero que dentro do meu coração, demore bastante. Não importa. Sei que não será a última vez que voltarei a Paris. A cidade sempre me puxa prá lá!

bisous

Bell

5 comments 21/11/2008

Jóia rara

Ele caminhou com dificuldade na direção dela. Ela, que espiava pela porta aberta adiantou-se para atendê-lo. Era horário de expediente e já estava acostumada com a situação. Deve ser uma jóia para a neta, imaginou.

Tímida, passava seus dias a produzir jóias. Trabalho aprendido com o pai, viúvo e ourives silente. Todos achavam que ela havia escolhido o ofício por falta de opção. Na verdade, gostava do que fazia. Não sabiam que dentro daquele corpo mirrado borbulhava uma criatividade incessante.

“Preciso de alianças”, ele disse. Surpresa, pensou então que se tratasse de um presente para alguém da família prestes a se casar. A cidade era pequena, e ela conhecia todos os moradores. Não se lembrava de ter visto antes aquele senhor, o que reforçou a hipótese do noivado de um parente ou, talvez, de que ele fosse o padrinho ilustre de um casamento.

As jóias serviam de desculpa para que entrasse sorrateiramente na vida das pessoas. Ao desenhar as encomendas, ficava imaginando qual seria a motivação daquele presente. Não se presenteia alguém com ouro a troco de nada. Jóia é presente importante, que marca data inesquecível. Ela havia sido, através de suas jóias, testemunha de vários noivados, casamentos, batizados, festas de formatura e de quinze anos. Só não gostava dos rompimentos. Sentia-se muito mal ao derreter uma aliança para transformá-la em um par de brincos de argola.

“O Senhor tem os tamanhos?” As rugas se desdobraram em um sorriso envergonhado que foi o ponto de partida para um quase inaudível “não”. Em contrapartida, logo acrescentou com voz digna de um tenor: “Uma você faz do seu tamanho, a outra, você pode medir no meu dedo”.

Secretamente sonhava com a sua aliança. Apesar de já ter passado da idade de ser pedida em casamento, ainda imaginava o dia em que alguém lhe surpreendesse com uma linda caixinha de veludo. Nem se importaria se a jóia fosse feia, embora tivesse um gosto apurado.

Agora foi ela quem enrubesceu. A perturbação era tamanha que não ousou outra pergunta. Apenas pegou o medidor, colocou no dedo dele e depois, no dela mesma, embora soubesse de cor a sua medida. Anotou os números, sorriu e então não pode deixar de perguntar: “Para quando?”

Já havia namorado. Há muito tempo. E tinha sido surpreendida, não com uma jóia, mas pela traição. Na época, sentiu-se péssima. Hoje, chega até a pensar como seria a sua vida se tivesse perdoado. Era tarde demais. Por morarem em uma cidade minúscula, sabia que ele estava casado. Havia até feito as alianças do casamento. Com freqüência encontrava os dois filhos dele brincando alegremente no parquinho. Ainda bem que eram meninos, pois acreditava que não teria forças para fazer um brinquinho da filha dele que não era dela. As alianças ainda tinha suportado, mas jóias para os filhos, não. Sofria pelos filhos que não teve.

“O mais rápido possível, minha filha! Nem ela, nem eu, temos tempo a perder!” Ela sorriu, olhou no fundo dos olhos daquele senhor que refletiam um amor quase infantil. Esse mesmo olhar apaixonado ilustrava a foto da noiva que estava na carteira. Uma senhora bem velhinha, sorrindo com um cravo nas mãos. Ele tirou da carteira o pagamento e entregou a ela.  

Ele se foi e ela continuou ali, a lapidar o ouro dos sonhos alheios.

Por Bell Gama (novembro/2008)

 

 

1 comment 21/11/2008


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