Archive for Dezembro, 2008

Ilusões Perdidas

 

 

dsc063891“Para ela, tudo era sublime, extraordinário, estranho, divino, maravilhoso. Animava-se, se encoleirizava, se abatia, alcandorava-se, e quer olhando o Ceu ou a terra, seus olhos se enchiam de lágrimas. Gastava a vida em perpétuas admirações e se consumia em estranhos desdéns”.

Honoré de Balzac, Ilusões Perdidas

 

Faltava fé. Prestes a completar 35 anos, ela havia decidido conhecer Paris sozinha. Cansada de esperar que o homem do seus sonhos enlaçasse as mãos e mostrasse a cidade, perdeu a fé e comprou a passagem.

Andou pelo Louvre. Desiludida, olhou Psiquê apenas como uma obra de arte. Foi ao alto da Torre Eiffel e suspirou por não ter quem tirasse uma foto dela ali. Continuou seu caminho pelas margens do Sena passando pela ponte da sua própria alma.

Antes de chegar ao Marrais já havia se encontrado. Foi fundo neste encontro. Rumou para o norte, chegou a Montmartre. Subiu penosamente as escadarias da Sacré Coeur sentindo a cada degrau o peso da sua vivência. No alto renovou seu fôlego inspirando a bela vista. Estava se apaixonando por Paris, assim como aos poucos, a cidade também estava se apaixonando por ela.

O sol se pôs e a noite revelou a cidade luz.  Decidiu brindar sua nova paixão em Saint German des Prés. Tamanha comemoração merecia uma taça de Gosset Grand Reservé Rose no Le Deux Magots. Simone de Beauvoir, que tantas vezes esteve na mesma cadeira, aprovaria a comemoração.

Antes, olhou para a catedral. Decidiu entrar e agradecer a felicidade que havia invadido o seu desgastado coração. Os violinistas ensaiavam hinos de natal. Ao som deles foi flanando até a nave central. Ao lado, no canto escondido, viu Saint Antonie.

De repente, fez-se o silêncio. Antes que ela pudesse acender a vela e renovar seus pedidos ao santo, ela o viu. Ele estava ali, ao lado, fazendo o mesmo pedido.

Bastou um sorriso. Sua fé estava renovada.

Paris ficou ainda mais linda e iluminada.

Psiquê, no escuro do museu fechado, piscou.

Assim como luzes da torre piscaram.

Os sinos da Sacré Coeur e da Saint German bateram em sintonia.

Assim como seus corações.

Bell Gama

Dezembro de 2008

2 comments 22/12/2008

Buenos dias! Madrid querida!

dsc066552

2 comments 05/12/2008


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