Archive for Novembro, 2009

Minhas noivas e a madrinha

Eles se encontraram, ficaram amigos, namoraram, casaram e foram felizes para sempre. Essa sucessão de acontecimentos que hoje parecem frase velha de história de princesa realmente acontece. Comigo ainda não aconteceu. Digo ainda com a maior das esperanças porque nunca entrei numa igreja sozinha. Nunca assisti um casamento da platéia.

Nem todas as noivas eram minhas melhores amigas. Muitas, se tornaram a partir deste dia especial como é o caso da Paty, esposa do Rodrigo. Ele sim era meu amigo do trabalho e minha amizade com ela era superficial. Ainda dei um super trabalho no casamento deles porque terminei o namoro com o padrinho e tivemos que escolher um novo. Minha amizade com a Paty se fortaleceu no momento em que fomos ao cabelereiro juntas para que eu pudesse fazer umas fotos para o meu futuro presente. De amiga distante passei a melhor amiga de infância quando me vi sentada ao lado dela no banho de banheira no dia de noiva. Posso afirmar: não há nada mais bonito. Entre escovas, bobs, unha, laquê e nervosismo fomos nos tornando íntimas. Tive o prazer de ir no Chevrolet 47 com ela até a igreja. Compartilhei os últimos momentos dela antes de entrar no altar junto ao seu pai. Quando ela entrou, foi impossível não me sentir parte dela naquele lindo vestido que eu ajudei abotoar botãozinho por botãozinho.

No mesmo ano, minha outra amiga também do trabalho, resolveu se casar. Cerimônia simples, no cartório, apenas para familiares. Discreta, Priscila não queria alarde já que namorava o Jonas há muitos anos. Era sabido que um dia eles casariam. No cartório, não há madrinha. Mas mais uma vez eu estava lá, como testemunha, com a minha máquina fotográfica em punho e muito honrada de ser a única amiga dela convidada. Ao vê-los emocionadíssimos assinando a papelada, conversar com as avós deles, abraçar os irmãos, me senti mais uma vez, parte daquela família e me casei com eles.

Depois de muito tempo fui surpreendida por um convite inesperado. Meu amigo de infância, que conheço há mais de vinte anos, se casaria com uma “quase” amiga minha. Eu já conhecia a Carolina pois ela namorava o Thiago há muito tempo, mas mesmo com nossa proximidade não achava que seria convidada sequer para o casamento, ainda mais como madrinha! Fui escolhida junto com outro amigo de infância por representar a nossa turma da época de colégio. Para mim, foi um prêmio dado pelo generoso casal. Eu, que sempre quis ser inesquecível para aquela turma, naquele momento me eternizava como madrinha deles.

Foi com esse mesmo padrinho que acabei entrando pela quarta vez na igreja. Vinícius, meu amigo de infância, e eu fomos escolhidos por Flávia e Fabrício. A Flávia eu já conhecia desde os meus quatro anos de idade. Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que foi minha primeira melhor amiga. A vida nos afastou e nos uniu no momento certo: de apresentar o Fabrício a ela. Na época eu também namorava e falávamos até em nos casar juntos já que os namoros começaram no mesmo dia. O meu terminou. O amor de Flávia e Fabrício não.

Quando achei que já estava experiente o suficiente, recebi mais um convite. Dessa vez, minha irmã se casaria. E mais, como madrinha, teria que fazer um discurso durante o casamento. Se eu já me emocionava com cada noiva entrando no altar, ver a minha irmã feliz, casando-se com o homem que ela escolheu e que eu tenho a certeza que será feliz, foi algo inesquecível. Ensaiei muito o discurso. Fiz terapia. Conversei com o casal, com o outro padrinho, mas não adiantou. Chorei muito. Na verdade, fiquei aos prantos. Tanto que fiquei horrível nas fotos.

Nesse momento em que escrevo tudo isso, para que eu não perca nunca de minha lembrança os casamentos que vivi, acabo de rever as fotos do último. Renata e Cauê fizeram uma festa linda. Generosamente Renata me chamou para participar de tudo. Do chá de cozinha até ser a última convidada a sair da festa. Minha história com eles sempre foi assim. Eles praticamente namoraram na minha casa. Torci muito pelo namoro dos dois e bastou que eu os visse juntos uma vez para saber que ficariam para sempre. Vivi momentos deliciosos no cabelereiro com as sobrinhas da Renata, troquei as daminhas, abracei os familiares e quando você acha que já sentiu tudo, sempre há uma coisa nova. Fui convidada por eles a ir no mesmo carro da igreja para a festa. Encontrar alguém um segundo depois do maior momento da sua vida não tem como explicar. Foi uma explosão de alegria, risadas, beijos e comentários atropelados no caminho. Dava vontade de ficar ali para sempre. Chegamos na festa e ainda fui a responsável por tirar o véu da noiva. Chorei durante o filme, bebi com os padrinhos e dancei até o chão. A alegria foi tamanha que no fim da festa nem esperava o elogio do padrinho: “Renata e Cauê se casaram, mas quem ganhou o presente fui eu.”

Serei a próxima?

Se depender da torcida e do meu nome escrito na barra do vestido de Patrícia, Priscila, Carolina, Flávia, Carol e Renata, certamente.

Bell Gama

Novembro 2009

4 comments 18/11/2009

Boca a boca

Prazer. Você é a Fulana? Estava te esperando. Não, não esperei muito tempo não. Na verdade acabei de chegar, mas já estava te esperando.

Fique tranqüila, não será tão difícil assim. Prometo ser gentil. Você quer que eu explique como tudo funciona? Que fale um pouco de mim ou vamos começar? Por que você está rindo? Muita formalidade? É que gosto de contar um pouco sobre mim antes. Mas se você não quiser podemos ir direto ao ponto.

Ah, você conhece o Sicrano? Poxa, já o conheço há uns bons anos. O que ele é seu? Amigo? Ah… tá. Estudaram juntos? Sei, sei. Nossa! Como você está quietinha! Costuma costuma ficar assim ou é só comigo? Isso, ria para ficar mais relaxada! Bem bonito o seu sorriso…

Ás vezes acho que deveria ter sido comediante. Mas não sou né? Se eu fosse, teríamos nos conhecido de maneira bem diferente. Bom, vou parar de te enrolar e vamos de uma vez. Prometo que não vai doer nadinha. Você que vai me dizer até onde quer ir.

Deita aqui, fica a vontade.

Abre a boca.

Abra essa boca bem grande para mim.

Isso, desse jeito.

Assim tá perfeito… lindo!

Bom Fulana, você está com uma cárie. Só uma. Vamos começar a obturação.

Por Bell Gama Novembro de 2009

3 comments 03/11/2009


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