Paul e pai

30/11/2010 at 2:22 AM 1 comentário

 

Aos sessenta anos, ele estava ali, abanando as mãos no meio de sessenta mil pessoas, vendo o show que ele já deve ter sonhado mais de sessenta vezes em assistir, mas que ele já tinha pensando sessenta motivos para não ir.

Nesse momento, segurando a câmera e tentando registrar o momento que mostrará aos meus filhos como fui feliz em ser filha de meu pai, me senti plena. Ele estava ali realizando um sonho. Eu, outro. Todas aquelas pessoas outros. Só a música poderia proporcionar aquilo.

Assim como nunca imaginei ir à Paris. Achava que os Beatles não existiam. Era algo tão distante, tão mítico, que para mim, eles sempre foram quatro caras trancados dentro de um CD antigo de meu pai. Óbvio, sempre soube da importância deles. Sei as mais conhecidas músicas de cor. Mas nunca planejei estar diante de um.

Só um ídolo me levaria a outro. Foi pelo meu pai que fui ao encontro de Paul McCartney. Até ele tocar o primeiro acorde no baixo, meu motivo de estar alí não era ver o ex Beatle e sim ver meu pai vendo o Paul. Se o show do palco é algo que ainda mexe com os meus sentimentos dias depois, o show que vi na pista do Morumbi me faz chorar na mesma intensidade.
Meus olhos quase se afogaram durante as três horas de música. Olhava para a alegria esfuziante do meu pai e imaginava o quanto aqueles cabelos grisalhos haviam caminhado até chegar ali. Olhava para os outros cabelos grisalhos e pensava a mesma coisa. Será que aos 16 anos meu pai imaginava que tantas décadas depois estaria ali, em pé, avô, pai de três meninas? Já estou com 30. Será que aos 60, viverei a mesma emoção? Não sei. Sinceramente, espero que sim. Como disse, quando envelhecer, quero ser meu pai. E também um pouco de Paul McCartney.

Bell Gama

dezembro/2010

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Em construção O saxofonista

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  • 1. Antonio Carlos  |  30/11/2010 às 8:22 PM

    Bell, querida,

    Que linda surpresa este seu post.
    Quase tão grande quanto a surpresa que tive quando você me telefonou dizendo que conseguira dois ingressos para o show do Paul. Era pegar ou largar. Ainda bem que peguei, ainda bem que fui com você (que me lembra tanto sua mãe com quem curtia os Beatles). Ainda bem que tenho você como filha e que me proporcionou tudo isso. Ainda bem que você existe. Ainda bem que não sou o Paul, mas sou o seu pai.
    Parabéns antecipados pelo seu dia, amanhã. Muitos outros dias ainda virão e serão todos e sempre seus.

    Ti doro

    Responder

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