O saxofonista
26/02/2011 at 10:13 PM 3 comentários
Dizem que quando nos apaixonamos, sininhos tocam. Soube que moraria naquele lugar pois na esquina, alheio às buzinas, ao corre-corre, ao cocô do cachorro e da moça que passava apressada, estava ele.
De fraque branco, sapatos lustrados, um anel no dedo mindinho e um saxofone velho na mão. Bonito seria se eu disesse que ele olhou para mim e sorriu. Mas não. Nem me viu. Estava perdido em meio as notas distoantes que tocava.
Não sou musicista. Gosto de música. Entendo pouco. Herança das aulas de piano que fiz com a D. Carmem aos 10 anos. Nessa época cheguei até a achar que pudesse ser pianista, mas não conseguia entender música clássica. Como tocar Mozart se nunca se ouviu? Parecia que eu tocava uma música que não existia e eu queria era música popular com começo, meio, fim e se possível refrão bem conhecido. Abandonei o piano e liguei o rádio.
Agora nem rádio mais ligo. Meus ouvidos ficam tão atordoados com tantas vozes e ruídos que ouço o tempo todo que o silêncio virou música para os ouvidos.
Mas ele foi interrompido. Depois de um ano, da mudança, da escolha do apartamento, de nunca mais ter ouvi-lo, ele invadiu minha manhã. Ao invés do barulho infame do despertador fui acordada pelo sax.
Ri de sua versão errada de “My Way”. Era como se fosse a música do Sinatra do jeito dele. A cada 10 notas certas, uma era errada. Ele nem ligava e continuava tocando. Acho que ninguém percebe. Foi o som do seu sax que me fez ter certeza, estava em casa. Apaixonada por mim.
Bell Gama
fevereiro/2010
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1.
todoamorquehouvernessavida | 15/03/2011 às 9:17 PM
te amo
2.
Vinicius | 29/03/2011 às 5:03 AM
Longe de casa e sozinho, procurei abrigo aqui. Agora me sinto mais perto e não mais só. Te amo!
3.
bellgama | 05/04/2011 às 12:26 AM
Meu querido, que bom que se sente em casa! Com você também me sinto assim. Volta logo! beijos