Porque eu amo… meu pai
23/05/2011 at 11:44 PM 4 comentários
Acho muito babaca dizer que seu pai é seu melhor amigo. Meu pai sempre disse para mim que era meu pai e ponto. E isso é mais do que ser amigo. Acabo de voltar de mais uma viagem com ele. Pela segunda vez fomos ao Rio de Janeiro juntos e vejo que não há companhia melhor (mesmo eu tendo grandes amigos).
Estar com o meu pai é certeza de se divertir, aprender e de estar segura. E quase ninguém consegue isso. Lembro a primeira vez que dividimos uma cerveja juntos. Certamente ele não se lembrará mas foi próximo do fatídico 11 de setembro de 2001. Estávamos na Disney em uma viagem que minha irmã mais velha havia ganhado e que sempre sonhamos em fazer: todas as meninas do papai juntas no lugar mais divertido do mundo. E foi lá, pela primeira vez, que descobri que eu não só amava o meu pai como pai, mas que eu o achava um cara bacana.
Eu fumava escondido e nem tinha coragem de beber muito na frente dele. Na adolescência já havia dado muito trabalho nas bebedeiras e sei lá… tem gente que acha feio pai beber com filha. Mas peitei. Sentei no bar, peguei minha “id” mostrei que tinha 21 anos e pedi uma breja. Fingindo não estar surpreso para não me constranger, ele pediu um drink e nunca mais nossa relação foi a mesma.
Alguns anos depois renovamos nossa amizade em Buenos Aires. Que medo! Pela primeira vez seria eu e aquele cara que usava terno quando eu era criança sozinhos em uma cidade que não falava a minha língua. Foi ainda melhor! Andamos a cidade inteira, conversamos de livros, de música, da vida, das trapalhadas, de nós. Fumei na frente dele pela primeira vez e ele acendeu um charuto. Acho que foi lá que meu pai viu que eu era uma menina bacana.
Depois disso nada mais nos separou. Trocamos inúmeros e-mails lindos (que tenho todos orgulhosamente guardados). Ele me ajudou a descobrir minhas qualidades. Eu o ajudei a redescobrir as dele. Hoje, torcemos escondidos para que possamos nos encontrar sempre, seja na varanda de casa ou em Paris, sozinhos e juntos para que a gente fique naquela mesa de bar, como dois bons e velhos amigos, pai e filha.
(Bell Gama/Maio 2011)
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1.
brenno | 24/05/2011 às 2:41 PM
Pô, Bell, que barato! Nem vou falar mais nada, porque me emocionei de verdade. E, sabe, vc parece muito com ele. Com a vantagem de não “conter” as coisas que ele, por força das circunstâncias, manteve “contidas” algum tempo. É bom que as coisas “contidas” sejam liberadas e, consequentemente,
“descontadas”. Mantenha essa fantástica abertura de cabeça que é sua marca. Amo vocês. (Mas um conselho: não vá fazer ele fumar… eu já tentei uma vez e não deu certo.)
2.
Antonio Carlos | 24/05/2011 às 8:08 PM
Li o seu texto ontem, depois que voltei da faculdade, e desde então as palavras me sumiram. Por isso a demora em lhe dizer o que estou sentindo. Com que palavras? Você me tomou todas. Amar e ter orgulho dos filhos (no meu caso, das filhas) é um sentimento comum a todos os pais, exceto casos aberrantes. Muito além disso, entretanto, tenho por você uma grande admiração como pessoa, como ser humano que você é e se fez por si mesma, sem nada a ver com o que sua mãe e eu pudéssemos lhe transmitir. Por isso lhe digo do fundo do coração: quando eu crescer, quero ser igual a Bell.
Ti doro.
3.
Antonio Carlos A. Gama | 24/05/2011 às 9:43 PM
Queridos, se vocês se emocionaram com o texto, me emocionaram ainda mais com os seus comentários. Tio Brenno querido, espero que a gente mate toda a saudade ainda. Papilly, ti doro eternamente! beijos
4.
Niccole | 04/08/2011 às 3:12 AM
Nossa. Eu nunca costumo comentar nada, mas esse é realmente especial. Parabens