Porque eu amo… minha irmã Júlia

02/06/2011 at 2:18 AM 2 comentários

Sempre quis ter uma irmã mais nova. Depois de 10 anos minha mãe veio com a notícia. Apesar de eu pouco lembrar da barriga crescendo, jamais me esqueço do dia que meu pai deu a notícia. Já era noite e eu o esperava na porta do colégio depois de um treino de vôlei. Ele chegou meio atarantado e disse que a Júlia ía nascer. Eu quis ir imediatamente para o hospital mas ele não deixou. Me jogou na casa da minha avó e disse que a Jú não tinha pressa. Que no dia seguinte eu conheceria a minha irmãzinha.

Cheguei na maternidade e fui correndo para o quarto. Vi minha mãe feliz da vida, vi a Julinha que parecia ter sido esculpida num molde de boneca, peguei uns 15 pirulitos de chocolate que seriam de lembranças para as visitas e corri para achar uma revista Contigo! Cismei que queria ser a primeira a saber qual o signo Júlia seria. Como boa geminiana, ela já nasceu generosa. De presente, me deu dois tênis M2000. Um de cano alto, outro de cano baixo, roxo, última moda.

Foi a Júlia que despertou em mim o desejo de ser mãe. Era muito legal conviver com aquela menininha aprendendo a andar, acordando toda arranhada, vendo seus cabelos encaracolarem e sua boca dizer as primeiras palavras. Depois de “apo” (água) vieram tantas outras engraçadas. A Ju sempre teve um jeito especial de ver a vida e descrever as coisas.

Quanto mais a Júlia crescia, meu desejo de ser mãe diminuía e minha vontade de ser amiga dela crescia. Enquanto minha irmã mais velha achava tudo que eu fazia idiota, a Ju achava tudo que eu fazia simplesmente o máximo. Eu passava horas contando coisas para ela dos meus namorados, ensinando coisas que não deveria ensinar, brincando de ser criança de novo e até contando segredos adolescentes. Foi para Júlia, aos 5 anos, que eu contei que fumava escondido dos meus pais. E como boa amiga, ela guardou segredo.

Poderia ficar muitas linhas descrevendo o quanto a Júlia foi uma criança encantadora mas isso seria muito pouco perto da mulher maravilhosa que ela se formou. Sim, hoje faz 22 anos que meu pai me buscou naquele treino de vôlei. Por mais que a gente quisesse que ela ficasse pra sempre criança, ela cresceu. Mas ainda hoje, continua guardando meus segredos como ninguém, me dando presentes inesquecíveis diariamente e me ensinando a ver a vida de um jeito muito mais doce.

Bell Gama, junho de 2011

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Porque eu amo… meu pai Por que eu amo… minha irmã Carol!

2 Comentários Add your own

  • 1. Nádia Figueiredo  |  02/06/2011 às 2:34 AM

    Lindo Bell!
    Eu AMO sentir esse amor de irmã, por isso quero ter mais filhos…
    Bjo Gde

    Responder
  • 2. Antonio Carlos  |  03/06/2011 às 7:18 PM

    Bell, lindo texto, como sempre.
    Vocè é única em ver e descrever as pessoas.
    A pequenina Júlia ficou tão vívida quanto a linda foto da Júlia linda mulher.
    Mas me permita um débil protesto: eu “joguei” você na casa de sua avó? Júlia nasceu à 1h15 da madrugada. Como poderia levar você para a maternidade antes?
    Mesmo assim, ti doro.

    Responder

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