Papo reto para uma menina de 32 anos

08/12/2011 at 3:18 AM Deixe um comentário

Isabella,

Há poucos dias você fez 32 anos. Idade que, aos quinze anos, você já mais achou que teria. Por isso, estou aqui. Para escrever para você como foi esse último ano. Não sei se você lerá isso amanhã ou daqui há alguns anos. Mas me sinto na obrigação de deixar  tudo registrado para você. Os últimos anos passaram tão rápido que você sequer se lembra onde passou o último carnaval, em qual ano perdeu sua avó nem ao menos se foi no fim de semana passado que você viajou ou trabalhou. O tempo parece estar batendo recorde de velocidade.

Outro recorde que aconteceu nesse ano foi de empregos. Aliás, a temática “trabalho” dominou seus dias, seu pensamento e seu coração em 2011. Depois de ter “saído” do lugar que ficou por quase uma década, atirou-se em outro desafio inimaginável que de tão intenso durou apenas 9 meses. E foi no carnaval que você teve que de novo se reerguer. E aí começou todo aquele questionamento “o-que-eu-quero-da-minha-vida-o-que-vou-fazer”. Do jeito que te conheço, sei que talvez jamais tivesse parado para pensar nisso. Você sempre foi levando a vida do jeito que a vida te levou. Agarrando tudo e vivendo. Mas aí te ofereceram aquilo que você sempre disse que sonhou: morar no Rio de Janeiro. Nem tudo é perfeito. Para mostrar que nossos sonhos nem sempre são nossas reais vontadesO, o sorrateiro destino te colocou um chão. O seu também tão sonhado apartamento próprio ficou pronto e você se mudou. Quem diria que você abriria mão de uma mudança para fincar de vez seu cep e ser dona de uma casa própria… É daqui, sentada no sofá, fumando o seu bom e velho Marlboro que escrevo para você. Aliás, espero que quando você leia isso já tenha parado de fumar. Espero, do fundo do coração, que seja por vontade própria e não por problemas de saúde.

Aliás, tua saúde andou bem desarranjada nesse ano. Calma! Não foi dos piores. Mas você abriu mão,né? Quando você se foca no trabalho sabe muito bem o que acontece… Não importa dor de barriga, dor de cabeça, dente doendo que você manda ver! E nessas você engordou (e bastante). Muita gente passou a te olhar meio estranho, meio com pena. E foi assim que você teve que colocar a cabeça para cima e questionar muita gente (inclusive as que você ama). Pois é… alguns dias você realmente se sentiu como uma bola que tinha uma pessoa dentro. Outros, você se sentiu imbatível e tentou mostrar para todo mundo que por baixo de todo o peso, há a mesma pessoa. Mas de verdade, espero que você já tenha conseguido resolver isso. Mais uma vez, desejo que você tenha conseguido lidar com isso por vontade própria e do jeito certo. Sem dor. Se não conseguiu, espero que você esteja feliz assim, de verdade e sem ter que aguentar mais nenhum comentário nesse sentido. Que cada um carregue o peso de si. E que você suporte o seu.

Tô falando bastante em saúde porque você teve algumas perdas nos últimos tempos. Essas perdas mexeram muito com você. Amigos muito queridos foram embora repentinamente. Digo uma coisa para a sua tranquilidade: talvez você jamais se recupere. Mas espero também que tenha aprendido a lidar e que tenha se preparado para as ingratas surpresas que a vida ainda te trará.

Com todos esses desafios, problemas e perdas acho que você ficou mais forte. Não foi um ano dos mais fáceis. Apesar de ter ído a shows inesquecíveis, lido ótimos livros, ter estreitado laços com seus amigos e ter vivido bons momentos, acho que você endureceu muito. Preocupou-se demais em sustentar-se e arrumar emprego. E quer saber? Você conseguiu! Apesar de ter passado por quase 4 empregos e freelas, não ficou um dia sequer sem trabalho e nem mês no vermelho no banco. Acredite, naquele tempo isso era praticamente um milagre. Por isso, reflita: não se cobre tanto. A vida é bem maior. Você tinha apenas 31 anos! Se ao ler isso você entender o real significado da palavra “apenas”, essa carta já valeu a pena.

Pela primeira vez você não se apaixonou. Tá vendo como a vida te endureceu? Na verdade, você só foi reparar isso quando o ano já estava quase acabando. Não sentiu muita falta. E aí que está o problema. Não sentir falta de amor é o pior dos sentimentos. Acredite nos muros pixados de São Paulo: o amor é importante, porra! Neste ano você também viajou pouco (em relação aos outros anos) mas também viajou muito para dentro da sua família. Teve momentos inesquecíveis com os seus pais, viu sua sobrinha e seu afilhado aprenderem a andar, a pronunciar seu nome, viu sua irmã mais nova se formar… todo mundo caminhou, Isabella, e você também!

Não sei se reparou, mas neste ano te chamo de Isabella. Incrivelmente algumas pessoas passaram a te chamar assim. Não sei se quando ler isso  ainda achará esquisto. Talvez, a Isabella realmente tenha se incorporado em você. Sinceramente, espero que não. A Bell não pode morrer. Ela é a tua alegria. Ela é tua essência. Ela que te trouxe até aqui.

Com amor,

Bell
07/12/2011

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Porque eu amo… a Manu

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