Busque na arte

Uma vez meu pai me disse que todas as respostas estavam na literatura. Seu melhor conselho me fez ler. Desde então leio incansavelmente e o melhor é que quanto mais se lê mais se descobre que há mais questões por vir. É por isso que desconfio de auto-ajuda, best seller e artigos com mil views. Por trás de cada texto deste tipo sempre há  um conceito maior porcamente traduzido para que todo mundo entenda. Nada contra. É mais fácil aprender o que é facilmente absorvido. Mas, em geral, ser sintético e genial não é tão simples assim. De qualquer maneira, esse pensamento de que posso encontrar as respostas na literatura tem me perseguido. Ampliei esse conceito para as artes.

A arte nasce da intuição, emoção e é interpretada. Assim, acho que todas as respostas estão na arte, incluindo a literatura. Basta ver um quadro do Reimbrandt pra compreender tudo sobre luz e sombra que um fotógrafo precise aprender. Basta ver Velasquez pra entender de enredo. É na Marina Abramovic que mora a essência do flash mob. E seguindo nesta linha de raciocínio foi absurdamente impossível não olhar para Van Gogh e entender tudo de branding, cores e pasmem Photoshop! Van Gogh pintava  camadas. Usava o circulo de cores complementares do Delacroix. Algo que usamos ate hoje pra fazer logomarca. Perspectiva? 3d? É com ele! Filtro do Instagram? Ele fazia na mão! Gênio é gênio. Pessoas que reinterpretam conceitos são incrivelmente boas mas não são gênios.

E também não pense que nada do que to escrevendo agora não tenha já sido escrito. Bobagem! Vá para as artes e encontre um texto melhor. Aposto que vai conseguir!

 

Bell Gama

agosto de 2014

19/08/2014 at 10:06 PM Deixe um comentário

A margem

“O que se pode esperar de uma cidade que dá as costas para o seu rio?”

(Frase retirada do filme “Medianeras”, de Gustavo Taretto

Hoje li a notícia que o Fernando Haddad incluiu o fim do Minhocão como via no Plano Diretor de São Paulo. Ou seja, o sonho daquele lugar se transformar em parque pode se tornar realidade. E isso tem muito a ver com o que tenho pensado aqui em Paris.

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De todos os lugares que fui nesta viagem o meu preferido são as “Berges de Seine”. O nome é até chique mas nada mais é do que as margens do rio que são belíssimas o ano todo mas se transformam no centro das atenções no verão.

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No pequeno espaço de asfalto entre o rio e a rua acontece de tudo: de piquenique a balada chique, de cooper a patinete, de partida de badmington a espaço de massagem.Há intervenções artísticas simples mas geniais como aquela que você conecta Bluetooth do seu celular e pode colocar uma música para todos ouvirem embaixo de uma das pontes. É isso mesmo, o objetivo é “coloque uma música e chame alguém para dançar”. Simples assim. Tão simples como os pallets que são bancos/mesas como os contâiners com jogos de tabuleiro que podem ser usados e compartilhados por famílias inteiras, como a caçamba que virou mesa de ping pong, como a água que é gelada, de graça e até com gás! Como uma parede que se transformou em parkour de escalada para as crianças brincarem ( e é o lugar preferido da Manu). Há também exposição de fotos, brincadeiras desenhadas no chão, lousa para expressar sua arte e suas ideias. Ou seja, o que Paris me mostrou é que de maneira muito simples e muito criativa a margem pode virar centro e que São Paulo ainda está bem distante disso.

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Para nós, o Tietê é esgoto e a margem é Marginal, um delinquente que a gente tem que enfrentar para cruzar a cidade. Espero que um dia São Paulo seja como Paris. Deixe de ser Marginal. Vire Margem. Vire Centro.

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Bell Gama

Agosto/2014

12/08/2014 at 5:34 PM Deixe um comentário

London, I´ve always loved u…

Eu já sabia que iria amar Londres: todos os amigos falavam que era a minha cara, tem a facilidade da língua, tem a rainha e tem o The Sun, rs. Realmente, eu amei Londres, amei desde o jeitinho gentleman de ser até o tempo maluco, ou no dizer da Bell, são mil estações em um dia; São Paulo perde e muito.

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Mas verão é verão e principalmente lá…é como se o mundo estivesse na rua e, então, imagina a loucura, fila, barulho invadindo monumentos, praças principais, London Eye (que não fomos!), etc. Cheguei a perder a Manu num parquinho com cento e trinta e outras crianças exatamente iguais a ela, cem loirinhos do mesmo tamanho correndo por mil direções como num “onde está wally reloaded”, momento tenso da viagem.

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Mas tirando isso, fomos almoçar nos Jamies Olivers de lá – que não impressionaram nem um pouco o Marcel, por conta de toda a sua expertise e que, sinceramente, poderia estar dando de dez no tal Jamie mas valeu a experiência.

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Mas se Londres foi realmente muito legal, com a Manu bem impressionada com a rainha , Big Ben, Peter Pan, um momento foi só nosso: meu, da Bell e da Marina Abramóvic. Pois é, um sonho realizado.

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Há uns dois anos descobri a Marina pelo filme documentário “The Artist is Present “ e me convenci que e até deveria estar fazendo isso da vida, ou seja, arte performática. Parece piada, mas quem é aquariano vai entender. Pois é, nesse meio tempo, e além de atormentar os amigos falando dela muitas vezes, eu tenho ido atrás, querendo saber o que ela vai aprontar e até que, um mês antes da viagem, demos de cara com a sua nova performance no Serpentine, no Hyde Park que, pura coincidência, era pertinho do nosso hotel. Ainda assim, com tudo a favor, a verdade é que realmente eu não acreditava que poderíamos conseguir realmente vê-la, já imaginando as filas e senhas na porta. Mesmo assim, já em Londres, enquanto eu pensava em dar uma corridinha lá no parque – mas acabei não correndo -, paramos, só de curiosidade, na frente do Serpentine, mais a fim de checar o movimento e até me preparar, emocionalmente, para talvez não conseguir entrar…Eis que a fila era curta, cerca de meia hora estaríamos dentro segundo a “monitora da Marina”. A pergunta, então, da Bell para a monitora foi a melhor: “But, is she really there?!” ; e a resposta da monitora, como se estivesse falando de Deus, foi: “Yeah, she is really here”. Nessa hora quase desmaiamos – quer dizer, eu, eu quase desmaiei. Aí, no momento imediatamente seguinte, começamos a pensar que talvez não estaríamos bem vestidas (roupa de ginástica em mim, chinelo nos pés avariadíssimos da Bell). Mas também era certo que aquela era a chance; se era para ir, tinha que ser daquele jeito e daí fila. A fila mais louca do mundo: um monte de gente, italianos, ingleses, brasileiros, espanhóis, dizendo o nome da Marina e se cogitando o que sairia dali e a resposta era: vai saber? Eu e a Bell ficamos no mundo das cogitações: ela poderia estar pelada – muito provavelmente – , poderia arremessar algo contra a gente, poderia estar enfaixada igual múmia, etc. As únicas explicações sobre a exposição – 512 hours, que é o tempo da duração da exposição -, eram: você deve concordar em deixar todos os seus pertences no armário do museu; deve entrar e permanecer basicamente em silêncio; deve pré-autorizar ser eventualmente filmado e fotografado – mas, graças! -, não fotografarás e filmarás absolutamente nada.

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E então, na fila, percebemos também que algumas pessoas entravam bem descontraídas, ou e bem curiosas, mas e no final, saíam com uma cara mega enigmática. Uns chorando.

Entramos, posso dizer apenas que nos foi dado um protetor auditivo industrial que abafou todo e qualquer ruído externo e, daí, estavámos no mundo da Marina. O resto, não conto – só pessoalmente, pra quem quiser. Não vale a pena estragar a surpresa. Provavelmente, ela deve divulgar um novo documentário sobre essas 512 horas. E valerá a pena conferir, sem dúvida. E até quem sabe foi filmada uma certa doida de roupa de ginástica cor de rosa chorando copiosamente…

Se Londres não marcasse , e marcou demais, Marina já se encarregaria da catarse prometida. E thanks minha irmã e amiga Bell, que esteve comigo ali, mas e não esteve (coisas de Marina…) e, ainda, realmente manteve um contato imediato de terceiro grau com a própria Marina!!! (coisas de Bell, que só acontecem com a “dona” desse blog, vocês bem sabem).

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Por Carol Gama

agosto/2014

06/08/2014 at 1:43 PM 1 comentário

Deauville e suas gaviotas

Foi a falta de tempo e dinheiro que nos levou a Deauville e não para Cote d’azur. Na verdade, desde quando fechamos a viagem para Paris no verão, sonhávamos em viajar dentro do país e, se possível, para alguma praia. Shel descobriu Deauville que fica na Normandia. A cidade é um misto de Campos do Jordão, Guarujá e Poços de Caldas. O Shel foi o responsável por encontrar um hotel incrível: o Royal Barriére que fica ao lado de um Casino do mesmo nome.

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A praia de Deuville não é das mais bonitas. A água é fria e não dá para entrar no mar. Mas nos deliciamos ao sentir a brisa e Manu adorou poder brincar na areia. A experiência em Deauville foi muito diferente. Na praia, ao invés de quiosques, há diversos restaurantes sofisticados. Os preços são bem altos mas é muito divertido tomar champagne em taça de vidro em plena areia. Os esportes mais praticados são hipismo, golf e até mesmo bridge. E isso já diz muito sobre a cidade. As pessoas vão para a praia de roupa e venta muito. O mais bonito de Deauville são as GAVIOTAS, ou melhor, gaivotas que ficam o dia todo compondo a paisagem.

Foi em Deauville que Manu experimentou pela primeira vez um mexilhão e curtiu muito comer direto da conchinha. Nós aproveitamos muito a piscina do hotel que lembra o Pérgula do Copacabana Palace. A única diferença é o preço da cadeira. Para sentar na piscina do hotel francês é preciso reservar e desembolsar 20 euros por dia (com direito a toalha, filtro solar, lenços umedecidos, água e claro, a piscina).

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Deauville estava cheia de turistas (muitos idosos) em busca das promoções de verão. As lojas instalam suas vitrines no meio da rua e vendem tudo. Até mesmo lojas famosas como Printemps fazem isso (e foi lá que descolei uma saia de um estilista famoso com 70% de desconto).

Uma das coisas que vai ficar eternamente na minha memória é o café-da-manhã do hotel em Deauville. Tudo absurdamente delicioso: a melhor manteiga, o melhor iogurte, produtos frescos da Normandia, muitas máquinas de Nespresso, e claro, champagne a vontade.

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Depois do fim-de-semana foi hora de encarar duas horinhas dentro do trem e chegar de volta a nossa casa, em Paris!

Bell Gama Julho/2014

31/07/2014 at 10:11 AM Deixe um comentário

Meu reino por uma sombra em Versailles

Por Carol Gama

 

Depois de alguns dias sem postar, fui incumbida pela BELL de assumir aqui..então, porque a Bell anda ocupada, inclusive teve de se ausentar de passeios por um dia para trabalhar nos freelas, e principalmente porque sou eu a especialista-mor em Versailles – versada em Versailles -, conto como foi. Aliás, nos dias anteriores por aqui, a programação foi diversa mas intensa, com alguns percalços: tentamos ir no Pompideou, e demos de cara com a porta porque era terça, chegamos a andar de bateau, o que foi bem legal, tornamos a andar pela ile Saint-Louis e almoçamos no nosso restaurante de sempre (o St. Regis) e ainda Marcel e papai tiveram a experiência Robuchon, o que da um post por si, sem dúvida.  Mas enfim, voltando a Versailles, compramos ingresso antes, nos preparamos para não ir tão cedo – já imaginando o mar de gente nesse verão – e fomos. Chegando lá, e também devidamente munidos com o necessário para um piquenique – para terror do Marcel, que a todo momento fica nos lembrando que já inventaram mesa e cadeira -, fomos direto para os jardins – e de novo tentando evitar o tanto de turistas, que se aglomeravam de forma louca no castelo. Achar uma sombra não foi fácil; isso, para quem viaja com criança pequena e impaciente, requer algum tempo de levada em colo, cavalinho, arrastamento forçado pela mão e mil respostas para a pergunta “tá longe?”. Mas finalmente encontramos nosso laguinho e fizemos um piquenique divertido. Olha só:

Piquenique

Chegada a hora de irmos no castelo, porque essa hora ia chegar, respiramos fundo e encaramos; antes disso já tinha preparado a Manu com a historinha adaptada de Maria Antonieta – que ela, juro que não sei porque, só chama de Marie Antoniette. Pois na minha versão infantil, a história-estória é assim: havia uma princesa que muito nova veio para Franca se casar com o príncipe Luis; quando ela chegou, com as roupas do país dela, tiveram que tirar toda a roupa dela e vesti-la com as roupas da França e nunca mais ela pode nem se vestir sozinha; dai o rei mais velho morreu e ela e o Luis viraram reis, muito novos; depois que ela virou rainha, ela começou a gastar muuuuuitoooo dinheiro com roupas, sapatos, chapéus e perucas, e o Luis com armas e outras coisas de meninos, tirando dinheiro do cofre do povo – essa parte já é uma pequena lição contra o consumismo desenfreado; o povo se revoltou, porque tava com fome, e invadiu o castelo e dali tirou a rainha e o rei, e a Franca nunca mais teve rei (nessa viagem, mais adaptações maravilhosas sobre Napoleão e Cleópatra). E assim, devidamente evitados sangue, morte e decapitação – apesar de que ela pressentiu que não foi muito bom o povo invadir o castelo. Bom a historia já estava naquela cabecinha quando a gente foi visitar o castelo e tudo misturado com outras coisas, que sinceramente não sei se li ou inventei, como a de que a Sala dos Espelhos inspirou o salão onde dançam a Bela e a Fera, tornaram a visita um pouco menos chata para ela. E lógico que essa visita foi na corrida intensa para ver aposentos e salões principais, não dava para ficar perdendo muito tempo sob o risco de cansaço extremo, calor absurdo, gente se acotovelando, concussão de ipad dos outros na nossa cabeça.

castelo

A Bell, que não perde tempo, saiu logo do castelo e entrou numa fila – inevitável no verão – para alugar um carrinho de golfe; ele dá acesso aos jardins de forma, realmente, menos cansativa. Deu certo.

carrinho

Fomos todos, menos o Marcel que não pode porque o carrinho era para quatro, e creio que essa foi a hora mais divertida para Manu porque paramos no lago principal, chamado Pequena Veneza, e ela pode alimentar os peixes, os cisnes e ainda convenceu o Babu e o pai a levarem ela de barco a remo pelo lago. Nessa hora, eu que não sou nem boba e conheço bem minha filha, não me arrisquei: foi uma remada com ela o tempo todo tentando tomar os remos dos dois, no que eu e Bell aproveitamos o carrinho para darmos uma volta a mais.

barco

Chegada a hora de ir embora, demos aquela última olhada no portão do castelo, que por si já é um caso à parte, e não saía da minha cabeça a grande ironia daquilo tudo: o que já foi tão exclusivo, tão especialíssimo, tão restrito hoje invadido, por tanta gente, e se isso não é Revolução não sei mais o que é. Fomos brindados por algumas gotas de chuva, mas a chuva não chegou a cair e a volta nos reservou algumas dificuldades entre estação de metro quebrada, ônibus tomado na hora do rush – que existe sim aqui -, mas valeu. Jantamos em casa, graças ao chef Marcel Robuchato (brincadeira, hein?, ele é fofo, só não gosta de nada que tem a ver com sair do apartamento).

Portao

Bom, essa foi a nossa visita que também nos ensinou a não ir em lugar tão turísticos no verão e o plano agora vai ser seguir os parisienses em passeios como Marais, Sena ao entardecer e anoitecer, porque la tá bombando, hein? Tá demais.

E como não sei se escrevo algo mais por aqui, quero aproveitar o espaço de blog para um registro; nada contra tirar fotos, Bell inclusive trouxe uma máquina nova que tem nos gerado grandes alegrias entre iphones com mil selfies, mas eu me pergunto: porque, por que, PQ tantos registros de mil equipamentos em frente de quadros, estátutas, monumentos, grama? Como é possível isso ser minimamente legal, coerente com qualquer coisa da viagem? isso nunca mais vai ser visto porque ninguém vai se prestar a olhar três mil fotos que poderiam ser encontradas na internet, num livro, em qualquer lugar! Como diz um comediante que amo, C.K. Louis, GENTE! olha para a coisa, olha para a pessoa com os OLHOS, não através de uma lente! Aquilo, sem uma droga de um treco na sua frente, é totalmente HD, tem a melhor resolução! Meu protesto, então, contra essa conduta totalmente incompreensível pra mim.

carol

julho/2014

 

 

 

25/07/2014 at 10:40 AM 5 comentários

Domingo no Parque com super jet lag

Acordamos super tarde neste domingo e a ideia era passar um dia leve e divertido para tentarmos tirar o cansaço. A Carol já havia pesquisado sobre o Parc André Citroen que fica numa área que eu não conhecia de Paris. Ele é conhecido por suas fontes de águas e seus jardins sensoriais. Acreditávamos que o calor merecia um banho de fonte. Mas o tempo, pela primeira vez, não estava tão quente. 

A caminho do parque

A caminho do parque

Desta vez, as fotos falam por si. O parque vale muito a pena! Há pouquíssimos turistas e muitas pessoas fazendo piquenique. Inclusive, o Babu e a Carol conseguiram dar uma corridinha e claro, depois, não deixaram de entrar na fonte. 

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Entre as coisas que nos chama a atenção em Paris são os parques infantis. Eu os chamo de “parque design”. Isso porque todos os brinquedos têm a junção de forma/função e são uma aula de design. Todos os pavimentos são emborrachados. É realmente incrível. 

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Depois do piquenique, voltamos para o apê e o Shel fez mais um jantar divino. O sono não chegou porque a noite também não chega por aqui. Verdadeiros protagonistas do filme “Insônia”, Babu e eu decidimos sair pelo bairro. Fomos até Saint Germain de Prés, sentamos nos botequins e aproveitamos o fim de noite como se fosse happy hour.

 

Bell Gama

julho 2014

 

21/07/2014 at 7:05 AM 1 comentário

Um sábado qualquer (só que não)

Dormi como uma pedra na primeira noite em Paris. Eu estava muito cansada do voo e cheia de dores. O jet leg pegou pesado. É que por ser verão e anoitecer às 22h é ainda mais difícil saber que horas são, se é hora de acordar, almoçar, jantar ou dormir. É uma experiência muito diferente ter um dia com tantas horas.

Acordamos, tomamos café da manhã e o plano era desfrutar o sábado nas proximidades já que Paris está lotada neste verão. A Carol queria ir na Fauchon uma loja gourmet que vende geleias, doces, foie gras e coisinhas parisienses. Fica na Madeleine, quase 2km do nosso apê.

Atravessamos o Sena e demos de cara com o Tuileries, o jardim que a Manu escolheu como dela nas últimas férias. Agora, sendo ainda mais perto do apê, é o quintal da Manu. No verão, o jardim recebe um parque para as crianças e por isso tivemos que interromper o passeio para que a Manu fizesse o dela. Começamos pela roda gigante. Apesar de eu ter um pouco de medo, a paisagem de Paris me chamou. Lá de cima dá para ver porque essa cidade é tão linda. Dava pra ver desde a Sacre Coeur até a Torre, Notre Dame e Montparnasse. O Babu teve medo e o ponto alto da roda gigante foi a Manu zombando do avô: “O Babu tem medo, o Babu tem medo”. Muitos brinquedos incríveis fariam qualquer criança amar o parquinho.

Do alto da roda gigante

Do alto da roda gigante

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A Manu elegeu um carrinho como o seu preferido. Enquanto a Manu brincava, Shel e eu desfrutávamos de um pint de Stella gelado para acalmar o calor. Aliás, outra coisa para se admirar em Paris. Pode-se ser criança e pode-se ser adulto ao menos tempo. Depois do parquinho ela foi relembrar a última viagem em uns brinquedos tradicionais que existem no dentro parque. Uma lembrança que ficará para sempre pois tenho certeza que quando a Manu estiver adulta e voltar para Paris, esse parque continuará existindo. Decidimos almoçar por lá mesmo. Uma churrasqueira fazia grelhados incríveis, linguiças, salsichas, joelho de porco, frango e apenas por 8 euros.

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Continuamos subindo sentido Madeleine, mas ao chegar na St Honoré demos de cara com a Colette, loja de hype de roupa e design preferida da Carol. Foi impossível não entrar. A Carol quis me mostrar algo especial: na Colette é possível fazer o seu perfume na hora. As fragrâncias estão prontas. Mas você escolhe e a perfumista prepara o seu vidrinho na hora, com direito ao seu nome na etiqueta e tudo. Enfim, foi impossível resistir. Fizemos os nossos perfumes e será mais uma lembrança que ficará para sempre.

Perfume para Bell Gama Paris'14

Perfume para Bell Gama Paris’14

Neste momento, Manu se rendeu ao cansaço e enquanto o Shel e o Babu ficaram num Bistrô com a pequena, Carol e eu continuamos as andanças rumo a Fauchon. Paramos na Lavinia, tradicional loja de vinhas e compramos um Billicart Salmon para surpreender a família e chegamos na Fauchon. Realmente é uma experiência incrível. A loja tem tanta coisa para experimentar que fica difícil escolher. Depois de comprar algumas coisinhas, sentamos e a Carol realizou o sonho de comer o melhor eclair de Paris. Um brinde das irmãs com champagne e eclair de chocolate.

As três delícias de Paris: Champagne, Carol e Eclair

As três delícias de Paris: Champagne, Carol e Eclair

Fomos brindadas com uma chuvinha deliciosa na volta para o apê. E aí foi só gostosura com direito a vinho e escalda-pé em família.

Escalda-pés em família

Escalda-pés em família

E é só o começo!

Viva Paris!

Bell Gama

julho/2014

20/07/2014 at 11:01 AM Deixe um comentário

Gama-Gomes no verão de Paris 2014

Uma contagem regressiva de pouco mais de 200 dias nos trouxe novamente para Paris. No ano passado, em setembro, já havíamos feito a saudável loucura de alugar um apartamento no Marais e ficar a família toda por quase 20 dias desfrutando da cidade luz. No último dia desta viagem, com um brinde de Billecart Rosé nos prometemos que voltaríamos para ficar mais tempo.

E o dia era 17 de julho. Nos encontramos em Guarulhos. Desta vez, sem a Jú, que arrumou o emprego que tanto sonhava e teve que ficar em São Paulo (ela fará falta!). E, mais uma vez sem a minha mãe que aproveita a data para tirar férias de nós. Até a hora do embarque, Carol e eu não acreditávamos ainda na viagem. Ela repetia sem parar se era possível ser tão feliz.

Manu alimentando o Babu no caminho do aeroporto para Saint Germain

Manu alimentando o Babu no caminho do aeroporto para Saint Germain

Ao pisarmos em Paris e encontrarmos o sorriso largo do Raymond que mais uma vez nos buscou no Charles de Gaulle descobrimos que é possível ser tão feliz. Desta vez, optamos por um apartamento em Saint Germain. Apartamento incrível que descobrimos ser de um dos brasileiros que mais admiro. Ainda não vou revelar o nome porque essa é uma outra história e fica o suspense.

Manu faz a sua primeira pose na vizinhança

Manu faz a sua primeira pose na vizinhança

Adaptados, era hora do tradicional Monoprix. Mais uma vez, chocamos os franceses pela quantidade de coisas que compramos. Aqui, as pessoas compram o suficiente para uma refeição e/ou um dia. E nós (mania de brasileiros) enchemos o carrinho. Obviamente com duas Veuve Clicquot e duas Moet Chandon mais um tanto de vinho, outro tanto de cerveja, queijos incríveis, frutas, pães e tudo que a gente tinha saudade. Na hora de voltar para a Rue do Bac, 40 sentimos a pressão do calor francês. O termômetro marcava 34 graus e nosso corpo pingava de suor. Já percebi que vai ser uma temporada muito diferente do que estou acostumada. Tanto que escrevo esse texto de top, shorts e Havaianas (coisa que nunca usei em Paris).

Família Gama Gomes no Sena

Família Gama Gomes no Sena

Muito cansados do v0o lotado nos forçamos a cumprir a minha tradição. Pela sétima vez começo a minha viagem pelo mesmo lugar: um brinde na torre. O Babu escolheu um vinho Pinot Noir da Bourgogne (nada mais francês).

O brinde da Torre

O brinde da Torre

Então eu a vi. Ela estava lá me esperando de novo.

Agora, podemos começar.

Ela me espera todos os anos

Ela me espera todos os anos

Bell Gama

julho/2014

 

19/07/2014 at 9:49 AM Deixe um comentário

Freela

Dedicado a todos meus amigos freelas

Quando um pai pergunta para uma filha o que ela quer ser quando crescer, ele nunca ouvirá a resposta “freela”. Ninguém quer ser o que não se sabe o que é. Mas é isso que eu sou hoje, “freela”.

REWIND

Na infância eu quis ser professora, Nadia Comaneci, jogadora de basquete e alquimista. Cresci demais para a ginástica olímpica e de menos para o basquete. Nunca encontrei o ouro e o magistério já era uma profissão para poucas heroínas que não ligavam para dinheiro.

Também fui "Nossa Senhora" na escola

Foto de quando fui “Nossa Senhora” na escola

FAST FOWARD

Quando meu boletim do 3o colegial apontou que eu era a 298a aluna dos 300 eu sabia que não me restavam muitas opções. Meus pais rezavam para que eu crescesse um dia. Eu rezava para ir embora da entediante Ribeirão Preto. Foi neste momento em que a diretora me chamou para um “teste vocacional”. Respondi que meus ídolos eram o Sílvio Santos (ainda é) e o Antônio Erminio de Moraes (WTF?). E o resultado foi: Relações Internacionais. Ela disse que eu deveria ser Diplomata (!). Como eu não sabia o que isso significava, me inscrevi em RI na PUC-SP, Relações Públicas na FAAP (porque eu queria muito estudar naquela faculdade de prédio bonito) e meu pai me obrigou a prestar vestibular de Direito na Unip. “Se nada der certo, você vai fazer direito, ser minha aluna, ter bolsa de estudo, ficar em Ribeirão e parar de fumar. Ponto.” Era a minha sentença por uma adolescência rebelde. Dois milagres nunca antes vistos aconteceram na história da humanidade: passei na FAAP em 9o lugar e não passei no vestibular da Unip. Quando se é premiada com a sorte grande, não se faz mais nada. Não prestei PUC, nem Fuvest. Fiquei na minha, peguei o Cometão, vim pra SP e entrei na FAAP.

MINI FAST FOWARD

E lá no Prédio 4 (que não é o bonitão da frente) você se descobre no meio de 50 alunos. Um dia, um professor maluco começa uma aula toda no escuro apenas com um isqueiro na cara. Pergunta o que é aquilo. Ninguém responde. Ele diz que aquilo não é aquilo e você descobre a Semiótica. E também descobre que não é ilegal fazer conta de calculadora, que é possível tirar 10 numa matemática que chama estatística. Descobre até que gosta de ler e sabe escrever. Descobre mais, que sabe trabalhar em grupo, que ama fazer televisão mas que não sabe o que fazer com tudo aquilo pra ganhar dinheiro. Mas seus pais já estão tão felizes de você fazer alguma coisa que até te dão uma boa mesada por mês.

MINI FAST FOWARD

Aí um dia você fica com a consciência pesada de usar o dinheiro deles para comprar Marlboro e cerveja e decide trabalhar. Você já está fora de casa e quer soltar a última amarra que tem com eles: grana. Então aceitei um trabalho de recepcionista de eventos. Ganhava R$ 35,00 (que muitas vezes ficava no transporte porque eu ía de táxi), usava salto e tinha que sorrir para médicos que participavam de uma convenção. Eu separava as VHS das cirurgias. Descobri que tinha médico que editava colonoscopia com a música do Titanic. Um dia eu tava tão exausta que cometi o pecado de me debruçar em cima de uma mesa. Tomei uma bronca tão grande que descobri o que é ter chefe. Aí uma amiga me disse que tinha um pessoal de uma ONG precisando de uma assistente de edição para um projeto que formava índios cinegrafistas. Eu não sabia direito o que era edição nem muito mesmo que existiam índios cinegrafistas. E assim passei um ano selecionando imagens para uma série de documentários que foi veiculada na TV Cultura sobre os 500 anos do Brasil. Fiquei maluca. Meu nome apareceu nos créditos e achei que era meu ápice na história da televisão brasileira. Foi aí que entendi o que era ser freela. Acaba o projeto, e você dá o fora e começa tudo de novo.

MINI FAST FOWARD

O tio da minha amiga trabalhava em uma produtora. Precisava de uma assistente de direção (direção do que?). Levei um álbum de fotos debaixo do braço e fui. Acho até hoje que ele achou graça daquilo mas eu queria tanto um emprego que ele confiou em mim. O que eu aprendi em um ano de set foi mais do que em qualquer escola. Entendi como funcionava um vídeo, um roteiro, uma edição, uma equipe, um cronograma, verba, o machismo e a hierarquia. Aprendi que o produtor é o primeiro a chegar e o último a sair, que o Diretor de Fotografia é o que demora mais (sempre) para fazer as coisas, que para a figuração o que importa é ter bastante comida. Vi que era possível editar a vida num vídeo com bg de fundo. Eu tinha achado. Era aquilo!

MINI FAST FOWARD

Aí, quando achei que sabia fazer aquilo me chamaram pra escrever umas coisas. Eu escrevia. Depois me pediram para gravar uma locução, eu gravei. Depois eu gravei uma reportagem, comecei a fazer pauta. E pronto, disseram que eu era jornalista. Para ódio alguns dos meus colegas que fizeram 4 anos de jornalismo eu tirei o MTB em dois dias. Era jornalista. Mas também não era. Era vídeo. Era texto. O que era mesmo?

PGM

“Mãe, eu tô na TV”

“Chama aquela menina que faz direção de vídeo, escreve, grava, edita e pede para ela cuidar do evento, da comunicação interna, do novo site, para criar uma campanha, pra escrever meu discurso”…. E a cada dia me pediam mais coisas. Aí surgiu um tal de Facebook, uma nova onda chamada Social Media e falaram: Dá para ela escrever aquilo, criar uma apresentação, criar um post, rascunhar um layout, fazer um branding, inventar uma estratégia, criar um treinamento, inventar uns personagens, dirigir uma celebridade, fazer um podcast, analisar um relatório…

PAUSA

E fui fazendo.  Continuo fazendo. E vou continuar.

Aí olho minha conta no banco. Tenho uma vontade estúpida de ligar para o meu pai. Não ligo. Já sei o que ele vai dizer:  “Filha, mas você trabalha tanto, como não ganha dinheiro, o que faz mesmo?”

É… pai, sou freela.

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Momentos no último set

bell

Bell Gama

Maio/2014

09/05/2014 at 5:46 PM 1 comentário

Aceite: Somos muitos

Nasci em 1979 – mais de dez anos depois do AI-5. Em 1992, ano do Impeachment de Fernando Collor, eu tinha 12 anos. Lá pelos 14 anos eu acessei a internet pela primeira vez. Aos 18 anos tive meu primeiro e-mail. Em 2008 fiz uma viagem para Amsterdam e visitei a casa de Anne Frank. Foi somente a milhares de quilômetros do Brasil e com alguns anos nas costas que eu entendi o que era a restrição de direitos, a dita ditadura. Em 17 de junho de 2013 eu entendi o que é um manifesto político.

Explico tudo isso para que todos possam entender a emoção que senti ontem e tudo que estou sentindo nas últimas semanas. Sou uma entre milhares, milhões, da mesma geração.

Nasci no interior de São Paulo. Sou filha de funcionários públicos. Estudei em colégio particular e andava de ônibus apenas para ir às aulas de inglês. Andei de avião pela primeira vez na minha formatura do 3o colegial. Fui para Cancún pois o dólar estava um para um.  Sou branca. Me consideram classe-média alta.

Política sempre foi assunto chato para mim. Comunicação não. Entrei na faculdade de Relações Públicas em 1998. Na época estudava-se Marshall Mc Luhan para tentar entender o que seria uma aldeia global. Eu achava a ideia incrível, porém distante. Tão distante quanto a ditadura. Tão distante quanto eu me meter em política.

E um dia você acorda. Já é 2013 e já está tudo misturado. A aldeia global existe. Moro nela. E é por meio dela, do universo fascinante e real que se tornou a internet, que a política está se fazendo.

O Movimento pelo Passe Livre, nascido e alimentado na internet, foi quem arrancou da garganta dos paulistanos o grito de basta. É pelos R$ 0,20 de aumento na tarifa do transporte público e também não é. Mas é também pelos R$ 0,20. Quem vive na internet sabe que não há conversa lógica, diálogo direto, linha reta. Se você não vive nesse novo mundo não vai entender. Por isso é difícil dar uma explicação reta e lógica para quem desconfia da manifestação política que trouxe vida ao país nas últimas semanas. Desculpe não conseguir explicar. O mundo não é mais reto e lógico também. Assim como as opiniões. É por isso que a cobertura da imprensa não dá conta de cobrir. É por isso que os políticos não conseguem entender as exigências. É por isso que a polícia trata com truculência o que não consegue identificar.

Não é diálogo, é rede de opiniões.

Não é um grito, são várias vozes.

Não é uma exigência, é um desabafo completo.

Só uma coisa é igual: o povo precisou ir para as ruas para berrar, se fazer ouvir. E isso emociona a mim que nunca vivi, ao meu pai que viveu tudo isso e aqueles que ainda não têm nem idade para sair às ruas como eu em 1992.

Quer entender? Participe.

Quer ouvir? É preciso mais do que orelhas. É preciso também olhos para observar o entorno, tato para saber lidar e principalmente, coração aberto.

E se depois de tudo isso se ainda quiser discordar… Tenha argumentos.

Tenho quase 1.000 amigos no Facebook. Mas ontem me juntei a quase 150 mil (para mim esse é o número oficial) de paulistanos que foram às ruas para serem ouvidos. Eu era muitos. E da beleza disso tudo não há como discordar. Aceite.

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Bell Gama – Junho de 2013

(Esse texto é dedicado aos meus filhos e netos que um dia terei)

19/06/2013 at 12:52 AM 2 comentários

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